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Criança diz cada coisa

     Quem nunca passou pela experiência de uma criança apresentar atitude ou reação surpreendente? Tipo aquela “joga um beijo pro titio” e a criança estica sua língua? Ou então “dá um beijinho na titia” e o que vem é um tapa bem dado? Reação mais inesperada é quando o adulto diz: “Ah, que coisinha linda!”. Grande mentira.

      Certa mãe encontrou uma apresentadora de TV, cujo programa sua filhinha via frequentemente. Para fazer média, a mãe diz para a filha: “Aqui filha quem está aqui! Diga o nome dela!”. A filha com frieza: “Não sei!”. Insiste a mãe: “Filha, como você não sabe? Você vê o programa dela!”. “Eu, nada disso!”, sustenta a filha. A mãe, não querendo perder a guerra, já que perdera aquela batalha, insiste: “Filha, é a …, você gostava do programa …” (omito os nomes por elegância). A filha, com ar de desprezo, encerra a disputa: “Ih, tem tanto tempo isso, oh, oh”. A apresentadora minimizou: “Você agora gosta de …” – disse nomes de programas infantis. Mãe e filha saíram juntas, mas a mãe…

      Tais cenas são comuns em qualquer família, mas a pior é quando uma criança faz uma malcriação daquelas ou diz uma palavra bem feia. Como detentores dos padrões mais elevados possíveis, reagimos: “Com quem você aprendeu isso? Não foi comigo ou com seu pai!”. Lembro-me de um caso em Cardoso Moreira: um homem extraía areia do Rio Muriaé e seus filhos bem pequenos ajudavam na condução da frota de carroças. Certo dia, uma vizinha do porto reclamou com o pai que um dos meninos xingava enquanto estava ali sozinho. Coitada, ouviu coisa pior. O homem desceu, começou a esbravejar com o filho e as palavras eram bem mais pesadas. É comum argumentarmos que estão na escola e os filhos dos outros ensinam o que é ruim. Engraçado é que todos os pais dizem a mesma coisa. Parece que há alguma paternidade invisível ensinando nossos filhos.

       É fato que estamos moldando a próxima. De nossos pais recebemos o que apresentamos hoje. De nós recebem nossos filhos o que apresentarão amanhã. Salomão disse: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e, até quando envelhecer, não se desviará dele”. Pitágoras copiou: “Educa a criança e não será preciso castigar o adulto”.

     O mais interessante de tudo é que, cometendo ou não erros como pais, recebendo influências positivas ou negativas, o evangelho é sempre uma oportunidade de crescimento, abandono do erro e nova caminhada, pois “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”.

Pr. Neemias Lima
Igreja Batista do Braga

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